Artista erigido

Mi colaboración semanal en “Salto al reverso” de cada lunes.

Conocí a Gräfenberg el día de mi debut como trompetista en el Café Dublín junto con una compañera más habitual en esta plaza, que hacía el número del trombón.

No podía dejar de mover mis dedos sobre la barra de mármol del bar y dar coces contra la madera que la sostenía. La música iba acorde con mi pánico escénico. Era la primera vez.

Es curioso que conociera a este hombre el mismo día que enseñaba el arte de mi instrumento a un público que no conocía. Se acercó y me invitó a una negra haciéndole un gesto con la cabeza al camarero. Juro que no sé cómo, pero me la bebí de un sorbo. Al contrario de lo que creí, me puse aún más nervioso. El tipo me miraba con ojos de gato. No pronunció ni una sola palabra. Yo tampoco. La situación era absurda. Al fin, abrió la boca para decir que me relajase, que todo iba a salir bien, que mi trabajo duro daría esta noche sus frutos. Ganaría pasta, reconocimiento, todo lo que deseara. Una buena visión, pensé. Desconfiado, pero sin intuir sus intenciones, sentí como su mano se deslizaba por mi pierna hasta llegar a mi paquete.

—Para que te vayas calentando…, —me dijo.

—Pero, ¡¿qué coño haces?! —le solté apartándolo bruscamente.

—No levantes la voz, capullo, soy tu jefe. Esta noche no me puedes dejar mal, ya sabes… Así que, ¿por qué no empiezas a calentar motores?

Cuando acabó la actuación entre vítores y aplausos y con el jefe contento de cojones, rompí a llorar detrás del telón que ocultaba ya mi desnudez.

Vaya putada de vida, pensé. Vaya putada de vida…

M. L. F.

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Un descubrimiento genial, mágico, surrealista. Encuentros que te hacen continuar. P. R. Cunha

Es un honor, un placer y un privilegio compartir con todxs vosotrxs a un genio de las letras, un colega excepcional: P. R. Cunha

Tuvo la osadía absurda (maravillosa) de dedicarme tamaña pieza teatral que degusté y con la que me reí muchísimo.

Copio y pego:

Esta peça teatral foi escrita à tardinha em 28 de março de 2018, ao Clandestino Café e Música — é dedicada à artista espanhola Marina López Fernández (inconstancias tropicales, locuras del otro lado del mar: «Bienvenida a mi mente»).

Ambiente habitual que precede ao espetáculo de teatro. Murmurinhos na sala. Os funcionários do teatro deverão fechar as portas do teatro pontualmente às 20h32 (vinte horas e trinta e dois minutos [horário de Brasília {UTC–3}]). Depois, uma funcionária do teatro pressionará botão vermelho ao lado da porta do teatro: soará assim a campainha que anuncia o início do espetáculo de teatro. Os espectadores que não conseguirem entrar antes dessa campainha e antes de a porta fechar-se serão informados pelos funcionários do teatro, com muita cortesia e benevolência, atitude própria desses funcionários do teatro — escolhidos a dedo, como se diz, por uma empresa húngara especializada em treinar funcionários de teatro para eventos dessa magnitude — os espectadores atrasados, portanto, serão avisados educadamente de que lá dentro do teatro ocorre agora um espetáculo de teatro, a porta do teatro está fechada, a campainha que anuncia o início do espetáculo de teatro já foi tocada, e eles (os funcionários do teatro) sentem muito, mas eles (os espectadores que chegaram depois das 20h32) não poderão entrar. Os espectadores de teatro que chegaram antes das 20h32 e que estão agora sentados confortavelmente em cadeiras reclináveis podem observar com certo deleite a luz da sala diminuir de forma gradual. Surge no palco um senhor de paletó cinza, chapéu, aspecto de desleixo pessoal, um leve arrastar dos pés. Ele diz que antes do grande espetáculo da noite haverá um monólogo introdutório, dois ou três minutinhos, de um artista romeno que nunca falara uma palavra sequer em português mas que lerá o monólogo mesmo assim. O artista romeno entra e lê o monólogo desta maneira:

Uma hora gritamos e temos quem nos escute (pausa), uma hora gritamos, esperneamos, fazemos cena e temos, por assim dizer, uma plateia, alguém com muita paciência para nos ouvir a gritar, a espernear, a fazer cenas (pausa), até que de repente esse alguém perde a paciência e se vai e daí não há mais plateia, não temos mais com quem gritar. Ficamos sozinhos.

Os espectadores de teatro aplaudem esse brevíssimo monólogo introdutório lido por um artista romeno que nunca falara português, e comentam, de certeza muito espantados, sobre o fato de esse artista romeno ter lido tão bem o monólogo em língua portuguesa apesar de não saber falar português — pelo menos se ainda acreditarmos no senhor de paletó cinza, chapéu, que arrasta os pés; porque, quando ao teatro, nunca se sabe. A luz da sala ameniza-se um pouco mais. Entram no palco os dois oradores do chamado grande espetáculo da noite, são estes: Conserva de Aspargo (uma mulher vestida de conserva de aspargo) e Garrafa de Leite (um homem vestido de garrafa de leite).

CONSERVA DE ASPARGO
Tu falas as tuas falas
depois eu tenho mais munições
para falar as
minhas falas

GARRAFA DE LEITE
E qualquer coisa
é um começo

CONSERVA DE ASPARGO
Qualquer
coisa

GARRAFA DE LEITE
Um teatro livre
percebes
Teatro que constrói
para si próprio
uma lógica
uma metodologia
uma ambiência

CONSERVA DE ASPARGO
Teatro esquizofrênico
teatro de vidas duplas
simultâneas
vidas que se contradizem

GARRAFA DE LEITE
Teatro impossível de encenar
impossível de se transformar em peça
Teatro surpreendente

CONSERVA DE ASPARGO
Teatro torto
teatro que serve para
afligir
O teatro que não
aflige ninguém
e não contraria ninguém
não é um teatro

GARRAFA DE LEITE
É outra coisa

CONSERVA DE ASPARGO
Sim outra coisa

GARRAFA DE LEITE
Tu falas
eu penso
depois eu falo
tu pensas
percebes

CONSERVA DE ASPARGO
Percebo

GARRAFA DE LEITE
(Sem olhar para a plateia)
Introduzimos aqui
uma pequena observação
que chamamos de «teatro»
(Faz as aspas com os dedos, dificuldade para mover os braços por conta da fantasia de garrafa de leite)
o que quer dizer
simplesmente que
poderíamos passar sem
essa observação
Teatro

CONSERVA DE ASPARGO
Toda a gente sabe que
isto é lá um teatro
um teatro que se leva
no bolso

GARRAFA DE LEITE
No bolso
em vez de telemóvel
de bolso
teatro-de-bolso

CONSERVA DE ASPARGO
Teatro-de-bolso
uma máquina para
encenar o que se vê

GARRAFA DE LEITE
E nem sempre o que
começa é bom

CONSERVA DE ASPARGO
Nem sempre
mas qualquer coisa
é um começo

GARRAFA DE LEITE
Tu falas
eu penso
eu falo
tu pensas

CONSERVA DE ASPARGO
Munições
para continuar
a falar

GARRAFA DE LEITE
E pensar
Naturalmente

CONSERVA DE ASPARGO
Teatro livre

GARRAFA DE LEITE
Livre

CONSERVA DE ASPARGO
Garrafa de Leite

GARRAFA DE LEITE
Conserva de Aspargo

CONSERVA DE ASPARGO
Naturalmente
tu não és
uma garrafa
de leite

GARRAFA DE LEITE
Não
Não sou
trato-me de
um ser humano

CONSERVA DE ASPARGO
Certo
Ser humano
fantasiado de
garrafa de leite

GARRAFA DE LEITE
Correto
Fantasiado de
garrafa de leite
teatro livre

CONSERVA DE ASPARGO
E tampouco
eu cá sou
uma conserva
de aspargo

GARRAFA DE LEITE
Tu tampouco
és uma conserva
de aspargo

CONSERVA DE ASPARGO
Fantasia de conserva
de aspargo
por dentro
ser humaníssima

GARRAFA DE LEITE
Dieta unilateral
uma pessoa que alimenta
o seu pensamento
apenas com um gênero
de exemplos

CONSERVA DE ASPARGO
Vês
(Levanta a fantasia, mostra as pernas)
Humaníssima
de conserva
de aspargo

GARRAFA DE LEITE
(Chega perto, averigua)
Aspargo
com pernas
Sim
Humaníssima

CONSERVA DE ASPARGO
Tu não és uma garrafa
de leite
estou certa

GARRAFA DE LEITE
Mais certa impossível
Sou cá um homem
humano

CONSERVA DE ASPARGO
Mas
Suponhamos

GARRAFA DE LEITE
Sim

CONSERVA DE ASPARGO
Suponhamos
à guisa de recreio
Teatro livre

GARRAFA DE LEITE
Livre
Uma lógica
uma metodologia
Ambiência

CONSERVA DE ASPARGO
Suponhamos que
o universo

GARRAFA DE LEITE
O universo
sim
suponhamos

CONSERVA DE ASPARGO
Supercordas
Cosmos
inflacionário
paralelo
infinito
em todas
as direções

GARRAFA DE LEITE
Cosmos
inflacionário
Sagan
Einstein
Planck
Hawkins
Alan Guth
Suponhamos

CONSERVA DE ASPARGO
O universo
em colapso
o palco
este teatro

GARRAFA DE LEITE
Este teatro

CONSERVA DE ASPARGO
Este universo
Suponhamos

GARRAFA DE LEITE
Eu de leite
você de aspargo

CONSERVA DE ASPARGO
Exatamente
Como sabias

GARRAFA DE LEITE
Li o texto
está lá no roteiro

CONSERVA DE ASPARGO
Certo
tudo é semente

GARRAFA DE LEITE
Qualquer coisa é um
começo

CONSERVA DE ASPARGO
Então suponhamos
que se nós dois
só nós dois
universo

GARRAFA DE LEITE
Multiversos

CONSERVA DE ASPARGO
Teatro de
vias duplas

GARRAFA DE LEITE
Vidas duplas

CONSERVA DE ASPARGO
Simultâneas

GARRAFA DE LEITE
Vias
barra
Vidas
que se contradizem

CONSERVA DE ASPARGO
Suponhamos que
se estivermos de acordo
eu
Conserva de Aspargo
tu
Garrafa de Leite

GARRAFA DE LEITE
Estou de
acordo

CONSERVA DE ASPARGO
Certo
Estamos de
acordo

GARRAFA DE LEITE
Estamos

CONSERVA DE ASPARGO
Então
O que achas
não passa a ser verdade
que eu
sou Conserva de Aspargos
e que tu
és Garrafa de Leite?

GARRAFA DE LEITE
Eu
Garrafa de Leite
tu
Conserva de Aspargo

CONSERVA DE ASPARGO
Passa a ser verdade
não passa

GARRAFA DE LEITE
Sim
Passa
Se estivermos de acordo
passa

CONSERVA DE ASPARGO
E até onde sei
estamos de
acordo

GARRAFA DE LEITE
Estamos

CONSERVA DE ASPARGO
Um teatro
impossível
percebes

GARRAFA DE LEITE
Mas se estamos
de acordo
torna-se
possível

CONSERVA DE ASPARGO
Sem atores
humanos
percebes

GARRAFA DE LEITE
Estou a perceber

CONSERVA DE ASPARGO
Teatro feito por
Conserva de
Aspargo

GARRAFA DE LEITE
E Garrafa de Leite
passa a ser verdade
Estamos de acordo

CONSERVA DE ASPARGO
O teatro que não
incomoda que não
inquieta
que não contraria
não é um teatro

GARRAFA DE LEITE
Não é um teatro
Absolutamente
É lá outra coisa

CONSERVA DE ASPARGO
Outra coisa
Teatro feito por
Garrafa de Leite
e Conserva de Aspargo

GARRAFA DE LEITE
Bonito de se ver

CONSERVA DE ASPARGO
(Olha para o relógio)
Pois manda as minhas
lembranças à
senhora Garrafa
de Leite

GARRAFA DE LEITE
Mandá-las-ei
E manda as minhas
ao senhor Conserva
de Aspargo

CONSERVA DE ASPARGO
Não posso

GARRAFA DE LEITE
Como assim
não posso
por essa eu
não esperava

CONSERVA DE ASPARGO
Não
não esperava
não está no roteiro

GARRAFA DE LEITE
(Tira o roteiro de dentro da fantasia de garrafa de leite, lê o roteiro)
Não
Não está no roteiro
Teatro estranho
correr em redor
de uma circunferência
(Faz uma circunferência invisível no chão, corre em redor da circunferência invisível)

CONSERVA DE ASPARGO
Teatro doido
Conserva de Aspargo
Caixa de Leite
Não está no roteiro
mas passa a ser verdade

GARRAFA DE LEITE
Por que não podes
mandar lembranças
o que se passou
com o senhor
Conserva
de Aspargo

CONSERVA DE ASPARGO
Morreu-se

GARRAFA DE LEITE
Morreu-se

CONSERVA DE ASPARGO
Sim
Suicídio

GARRAFA DE LEITE
Meus pêsames

CONSERVA DE ASPARGO
Não precisas

GARRAFA DE LEITE
De quê

CONSERVA DE ASPARGO
De pêsames
foi há muito

GARRAFA DE LEITE
O suicídio

CONSERVA DE ASPARGO
Sim
O suicídio

GARRAFA DE LEITE
Pena isso

CONSERVA DE ASPARGO
Superei

GARRAFA DE LEITE
Superaste
Conserva de
Aspargo
viúva

CONSERVA DE ASPARGO
Viuvinha
Superei

GARRAFA DE LEITE
Então
Não mandes lá
as minhas lembranças
ao senhor Conserva
de Aspargo

CONSERVA DE ASPARGO
Não mandarei
impossível
suicidou-se

GARRAFA DE LEITE
Que barra

CONSERVA DE ASPARGO
Superei

GARRAFA DE LEITE
(Pensativo)
Mas e à senhora
Garrafa de Leite
Continuo a mandar
as tuas lembranças
certo

CONSERVA DE ASPARGO
Pois não vejo motivo
para não mandares

GARRAFA DE LEITE
Teatro livre

CONSERVA DE ASPARGO
Justamente

GARRAFA DE LEITE
Mas temo cá pela simetria
do espetáculo

CONSERVA DE ASPARGO
Explica-te
Leite

GARRAFA DE LEITE
(Tenta colocar o indicador para os lábios, à moda filósofo, mas não consegue, a fantasia de garrafa de leite atrapalha)
Eu a mandar as
lembranças da
Conserva de Aspargo
à senhora Garrafa de Leite
mas Conserva de Aspargo
não manda lembranças
para ninguém
Percebes

CONSERVA DE ASPARGO
Percebo
Assimétrico

GARRAFA DE LEITE
Sim
O conceito é bem esse
Assimétrico

CONSERVA DE ASPARGO
Não mandes
então
as lembranças

GARRAFA DE LEITE
Sim
melhor assim
sem lembranças
De ambas as partes

CONSERVA DE ASPARGO
Inúmeras confusões
surgiriam dessa
terrível assimetria

GARRAFA DE LEITE
Inúmeras

CONSERVA DE ASPARGO
Senhora Garrafa
de Leite recebe as lembranças
da Conserva de Aspargo
Senhor Conserva
de Aspargo
não recebe lembranças de
Garrafa de Leite
Porque suicídio
Assimétrico

GARRAFA DE LEITE
Melhor não

CONSERVA DE ASPARGO
Teatro-de-bolso
Lembremos
Teatro-de-Bolso

GARRAFA DE LEITE
Simetrias

CONSERVA DE ASPARGO
Sem lembranças
portanto

GARRAFA DE LEITE
Pois não

(Cai o pano)

— P. R. Cunha

Opacidad cristalina III

Opacidad cristalina III

Mi cuarta participación en “El Instante Varado”.

Reanudemos
la marcha
en ascenso
bajada
dá.
Languideces en el rellano de los fornicadores
y catapultas
gusanos hechos larvas.
El ciclo comienza y no parece acabar. Sólo déjame enjugar esa gota de oro fino que resbala por el trapo
cuando ves que es lo único
que queda.

Resuelve fórmulas matemáticas: ceros
ceros
y ceros.
Gasta cuanta pluma veas de aquel árbol impreso en la pared.

Todo es falso.
No pongas tres dimensiones en el plano. Éste se las va a comer. Nacerá un punto que es la muerte de los tres ejes.
Déjate de equis, íes griegas y zetas. Rompe con el pasado
re
mi
fa
sol
(a)
con tu presencia, que dicta órdenes de abajo. El mundo del revés. Así es como debería ser.

Yo sólo quería consolarte, alejarte del ruido acogedor del silencio más sordo.
Un día, te lo prometo, subiré las escaleras y saldré por la puerta del portal;
me haré trenzas en los calcetines y me pintaré las puntas del pelo con esmalte color morado
re
mi
fa
sol
(a)
siempre que puedo. Sonreiré para mis adentros, maldiciendo en tu cara,
perra.

“H
o
sacra res
m
(o)
/
i
n
i.”.

Ángeles sólo a ciegas en un infierno contextual
sacan tiempo de alguna parte
y parecen vomitar mi
fa
(tal)
sol
(a)
na
infantil.

Tengo que hacer tantas cosas…,
Y no hago más que sentarme en el sofá
sol
(a)
por fin.

M. L. F.

Confesiones vacías

Confesiones vacías

Entras en el mismo bar de hace 30 años ya…

¿Cómo te sientes? ¿Qué ha cambiado? El alcohol. La poesía, del momento.

Se te ve centrado, loco, bohemio, demasiado francés. Te gustas.

Tu voz… El tiempo ha pasado. Ya vas viejo, viejo artista. Te lo recuerdan tus pastillas, tus manías e inseguridades por temor a que no se te entienda.

Estás como una puta cabra. Me encanta esa parte infantil que no has abandonado.

-Estoy acabado. Mira lo que dice el presentador de este circo. Como si yo fuera un dinosaurio, algo desproporcionado, que haría que la gente se sorprendiera. Pero soy lo que fui. Queda un reflejo.

La gente me quiere. ¿Por qué sino habrían de escoger mi escenario? Qué delgados están todos… Yo también estuve drogado muchas veces.

Es de día y el sol me quema la cabeza. De mi garganta salen rayos de luz.Pero no es de noche. Ya no puedo por las noches.

Tienes garra, viejo. ¡Alma!

Siempre me llamó la atención el poder hacer de los cantantes aún puestos hasta arriba de todo. Bueno, cualquier tipo de creador-artista.

-¡Tú estás hablando conmigo, joder! No hundas la cabeza, pedazo de gilipollas.

(Guitarra melódica)

No para de decirme: ¡yeah! ¡yeah!

Anda, “méteo polo cú”.

Las luces de la ciudad… La poesía… Oporto…

Me gusta el sonido que hacen mis zapatos contra la piedra dura de ayer al mismo tiempo que se mueven casi en imperceptibles círculos sobre la arenisca en esta calle silenciosa. Me recuerdan a los pasos de mi padre. Ahora se han convertido en los míos.

Ella está como siempre. El cuello sosteniéndole la cabeza hacia atrás. Me encanta que se le vea la garganta porque hace que su sonrisa sea amplia, seductora e infantil. Todo en ella es adorable. Mantiene la postura de chica traviesa, que no quiere aparentar serlo o sí, sabiendo que lo es…

-Aún me sigo divirtiendo, joder, aún lo sigo haciendo.

Un genio.

-Se me metía la música en la cabeza. Me dolía de tanto placer.

Tartamudeas al hablar. Me encanta.

-¿A qué coño quieren que juegue? En su puto circo de luces de neón de colorines y pantallas inmensas con el símbolo de la globalización, porque es el símbolo, sin duda, aunque pretendan darnos a entender otra cosa.

Toma premio de mierda.

-Brindan las copas en mi copa mientras mis ojos sudan lágrimas que nadie ve.

Que aburrido está todo hoy…

Siempre fuiste un alma noble. Eso ni la vejez te lo va a quitar.

En los ojos de mi madre siempre hay una luz, también. La que me encandiló. La que busco, esa chispa, que me acerque a la luz que tengo yo dentro de mí. En parte es egoísta.

-No me gusta dormir con ruidos.

Nunca he sido hipócrita. Nunca, en mis canciones. Jamás.

M. L. F.